Enviado em 01.03.2019

Compliance: adote uma postura preventiva

No segundo post da série “Governança Corporativa” vou te mostrar por que e como incorporar compliance na sua empresa.

Você, provedor regional, que deseja se consolidar no mercado no longo prazo, deve alinhar a função de compliance ao planejamento estratégico, missão e visão da sua empresa. Esse termo, em inglês, vem de comply, que significa “agir em sintonia com as regras”. Em termos bem didáticos, isso quer dizer estar em dia com normas, controles internos e externos, além das políticas e diretrizes estabelecidas para o negócio.

A atividade assegura o cumprimento de todas as imposições dos órgãos de regulamentação, dentro dos padrões exigidos para o segmento de atuação da empresa, nas esferas previdenciária, ambiental, fiscal, contábil, financeira, trabalhista, jurídica e ética. Desta forma, o compliance contribui para a melhoria dos níveis de governança corporativa. Leia mais sobre esse sistema de gestão aqui no nosso primeiro post da série.

Nos anos 90, a função dizia respeito apenas à adequação jurídica. Com o tempo, percebeu-se que implementar procedimentos de conformidade sem conhecimento de processos internos, metodologias de trabalho, política e estratégia de gestão de pessoas, técnicas de melhoria contínua, era insuficiente. Hoje, a abordagem engloba desde a atuação dos colaboradores do “chão de fábrica” até do presidente da companhia.

Através das ferramentas de compliance é possível evitar, por exemplo, gastos com multas, punições e cobranças judiciais; garantir maior respeito às normas de qualidade e o fortalecimento da empresa no mercado. Os principais benefícios são o ganho de credibilidade com clientes, fornecedores e investidores; aumento da eficiência e qualidade dos serviços prestados; a adoção de uma política e conduta com foco na prevenção.

Infelizmente, ainda hoje, no Brasil, muitas empresas pensam em compliance só depois de terem sido punidas por algum desvio, ou quando o corpo diretivo se viu envolvido com atividades ilícitas, como a execução de serviços mediante pagamento de propina, ou seja, quando algo fora da lei acontece. Mas, é importante que, você, provedor regional, adote uma postura preventiva desde já!

Como implantar

O primeiro passo para criar um setor de compliance é elaborar, com o auxílio de especialistas, um código de conduta em linguagem simples, que facilite o entendimento de todos os colaboradores. Isso é muito importante porque aqueles com menor nível intelectual também devem compreender a conduta que a empresa adota ao fazer negócios. Afinal, a postura da companhia reflete nos atores internos e externos e na sociedade como um todo.

É essencial envolver o endomarketing – marketing institucional interno – para disseminar as orientações sobre o cumprimento de regras e procedimentos. Lembre-se, porém, que compliance é um “organismo vivo” dentro da empresa, por isso, de tempos em tempos, é importante revisar e atualizar as informações, já que leis, normas e resoluções são muito dinâmicas e se alteram constantemente.

Para o sucesso da implantação do compliance na empresa é fundamental mostrar aos funcionários, clientes, fornecedores e sociedade em geral que o exemplo vem de cima. Líderes e gestores do negócio devem prezar por ações éticas, agir com coerência e jamais abrir mão de seus valores para ganhar espaço no mercado. Em nenhum momento, portanto, devem se envolver com atos ilegais e imorais.

A maioria das empresas, especialmente as brasileiras, reluta em adotar um programa de compliance. Em geral, o brasileiro prefere remediar a prevenir. No entanto, o ideal é que a atividade seja criada juntamente com o negócio, independente do porte. Não é algo caro para ser implantado. O importante é começar com pequenas ações, como a criação de manuais de conduta. Receber presentes de clientes e parceiros ou pedir que colaboradores trabalhem aos sábados sem registrar o ponto são exemplos simples de atitudes que devem ser evitadas.

Com um compliance bem estruturado é possível evitar roubos e desvios dentro da empresa, e até mesmo a disseminação de informações confidenciais do negócio para concorrentes. A atividade ajuda no controle, organização e preservação dos documentos, contratos e ações internas. Auxilia, também, nas estratégias e visão de futuro da companhia. Trata-se de uma mudança cultural, que valoriza a ética, transparência e principalmente a gestão pelo exemplo.

Subestimar o trabalho de compliance talvez seja um dos motivos do alto índice de mortalidade das empresas com até cinco anos de vida no Brasil, que é próximo de 50%. Menos de 20% delas chegam aos dez anos de vida no país. Muitas vezes, essa mortalidade está relacionada à falta de controles internos, falhas de gestão e desrespeito às normas e regulamentações.

E a pergunta que fica é: de que lado seu provedor regional vai estar na próxima década, se ainda estiver no mercado? Pense nisso!

Engenheiro eletricista, formado pela Universidade Norte do Paraná, pós-graduado em Telecomunicações pela Universidade Estadual de Londrina e MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas. Diretor executivo da Solintel e Moga Telecom, sócio fundador do projeto TelCont e com atuação no mercado de telecomunicações e gestão empresarial há 10 anos.

Comentários