Enviado em 05.12.2018

Internet das Coisas: conheça o mercado e se apronte para a regulação

Todos sabemos o que é Internet das Coisas (IoT). Mas você sabe o que as grandes operadoras e o regulador estão fazendo a respeito?

Todos sabemos o que é Internet das Coisas (IoT). Mas você sabe o que as grandes operadoras e o regulador estão fazendo a respeito?

Convidamos você a conhecer o “Ambiente de demonstração de tecnologias para cidades digitais”. Esse projeto, liderado pela ABDI e pelo Inmetro, é uma parte importante dos esforços da política nacional de fomento a IOT e a ABRINT oferece seu apoio institucional. Trata-se de uma “minicidade”, com 48 mil metros quadrados, em Xerém, distrito de Duque de Caxias/RJ, que servirá de laboratório vivo para teste e padronização de soluções de IOT nas mais diversas áreas, com foco no atendimento dos serviços públicos municipais. Já foram apresentados mais de 150 projetos, desde infraestruturas Inteligentes de telecomunicações até tratamento de resíduos sólidos.

Paralelamente à importância das cidades inteligentes, seu provedor deve estar atento também a outro universo IoT, dotado de mais imediatismo: a conectividade no campo. Você sabia que as produções agrícola e pecuária representam 21% do nosso PIB e são responsáveis por 46% das nossas exportações? Pois é. Um estudo feito pelo IPEA mostrou que propriedades rurais dotadas de tecnologia possuem produtividade 2 vezes maior. Justamente por conta desse imediatismo e dos problemas de infraestrutura de acesso e transporte que ainda existem nas zonas rurais, há uma parcela da indústria de IoT que busca desenvolver tecnologia de conexão de dispositivos independente do acesso à internet. O que isso significa para os provedores regionais? Não percam tempo em expandir suas redes e atender à demanda rural.

Segundo o Plano Nacional de Internet das Coisas, a implementação de sistemas de comunicação inteligente entre máquinas gerará um impacto de US$ 21 bilhões na área agrícola brasileira, até 2025. Dentre as principais tendências na agricultura de precisão, destacamos a automação das colheitas, o acompanhamento meteorológico, a gestão de pragas nas produções e o desenvolvimento de algoritmos de previsão. Procure as Ag Techs da sua região (sim, esse é o nome das startups desse mercado!) e faça parcerias. Todos podem ganhar.

Agora, do ponto de vista das dificuldades relacionadas à conectividade, ainda se observam: problemas de conectividade das propriedades rurais com o ambiente em nuvem; alto custo e baixa qualidade das conexões disponíveis; problemas de conectividade dentro da propriedade rural; e problemas de compatibilidade entre as diversas soluções de software e IoT. Pergunte-se: alguns desses problemas estão diretamente relacionados com a atuação do meu provedor regional? O que eu posso fazer a respeito?

Para ajudar, convém entender um pouco desse universo técnico de IoT. São várias as tecnologias empregadas e não nos parece haver predomínio ou exclusão de uma pela outra. A tecnologia denominada LoRa permite comunicação a longas distâncias, alcançando até 15 km, ideal nas áreas rurais. Seu protocolo LoRaWAN permite baixo consumo de energia e alta autonomia. Já a tecnologia LPWA, surgiu com a finalidade de tratar a conexão de milhares de dispositivos, em redes urbanas concentradas, ampliando o leque de soluções de IoT. Como exemplo, citamos a Sigfox, que opera no Brasil pela empresa WND Brasil, através de licença SLP. Sim, SLP e não SCM.

A Anatel já aprovou uma modificação importante no procedimento de medição da densidade espectral de potência justamente para endereçar a modulação LoRa, permitindo a certificação de tais equipamentos no Brasil. Não se engane: acompanhar esse mercado é acompanhar a indústria e o regulador.

Além dessas tecnologias, o universo IoT também conta com o LTE-NB ou NB-IoT, padronizada mundialmente (3GPP) e futuramente compatível com padrões 5G LTE.

A atual composição das faixas de frequência no Brasil é favorável para o desenvolvimento da IoT, mas alguns ajustes devem ser feitos. Com relação às faixas não licenciadas, já houve uma redução do espectro pela Anatel na faixa de 907,5 – 915 MHz, restando apenas 2 faixas 902 – 907,5MHz e 915 – 928MHz. Permitir uma redução ainda maior deste espectro prejudicaria a competitividade de equipamentos produzidos nacionalmente, para exportação.

Já com relação às frequências sub-1GHz licenciadas (250 MHz do SLP – Serviço Limitado Privado, 450 MHz e 700MHz do SMP), as dificuldades são outras e já foram recentemente endereçadas pela ABRINT na Anatel durante a discussão do Plano de Uso de Espectro, objeto da Consulta Pública n.° 06.

O governo não está poupando esforços na área e os provedores devem participar ativamente desse movimento. As iniciativas públicas de fomento dos projetos de IoT pelo BNDES e pela Finep representam orçamento de R$ 20 milhões e R$ 1,5 bilhão, respectivamente.

Quando se avalia o que as grandes operadoras andam fazendo, há algumas diferenças interessantes com as quais podemos aprender:

A Operadora Claro fez parceria com a Ericsson e a Qualcomm e está priorizando smart cities, utilities e veículos conectados. Foi a Claro quem promoveu o primeiro teste comercial com a tecnologia Cat-M1 (versão da tecnologia LTE para IoT).

Já a Oi adotou uma postura de estudo e avaliação junto às equipes acadêmicas da FGV e fez uma parceria com a Nokia para criar um laboratório de referência no desenvolvimento de projetos de IoT em Banda Estreita (NB-IoT) e eMTC (LTE-M).

A TIM buscou diferentes parcerias estratégicas, seja com universidades, seja com a Indústria (em especial, a Ericsson) e com multinacionais e bancos. A empresa acredita no mercado B2B2C (aquele em que as empresas usam serviços da Tim para lançar produtos para o consumidor final) e no potencial do big data e analytics.

A Vivo seguiu a uma linha mais comercial, ofertando soluções embarcadas com a Huawei, Ublox e Quectel (desenvolvedoras de módulos de conectividade) e com a C.A.S Tecnologia (desenvolvedora de soluções no mercado energético).

Como se pode ver, dentre as grandes operadoras, há um consenso claro de que nenhuma delas vai esperar o 5G para implementar soluções de IOT. E você, está esperando o quê?

Cristiane Sanches – membra da Câmara ABRINT Mulher.

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