Enviado em 13.11.2018

INFRAESTRUTURA FÍSICA ALÉM DOS OLHOS

A infraestrutura física de muitas redes em geral é, por diversas vezes, negligenciada por gestores mesmo estes sendo bons técnicos. Mas, negligenciada de que forma?

A infraestrutura física de muitas redes em geral é, por diversas vezes, negligenciada por gestores mesmo estes sendo bons técnicos. Mas, negligenciada de que forma? Bem, de várias maneiras, as quais tentarei expô-las agora.

No final das contas o que importa é o funcionamento da rede, é o dado trafegando a velocidades esperadas como 1 Gbps ou 10 Gbps, ou seja, a uma taxa de transmissão conforme previsto em projeto. Acontece que, para que isto ocorra, muitas coisas devem ser levadas em consideração como: um bom projeto de redes, aquisição de bons equipamentos, uma boa instalação e gente competente para gerir o sistema.

Para muitos profissionais, o fato de se ter uma rede entregue pela obra e que apresente uma boa performance inicial já é suficiente para gerar satisfação em função de um desejo, porém estas pessoas podem não observar detalhes de fundamental importância para a vida útil desta mesma rede. Em outras palavras, não é suficiente dizer que apenas pelo fato de o sistema estar funcionando, que o mesmo é eficiente.

Infraestrutura e eficiência da rede

Garantir o perfeito funcionamento da rede e que as intervenções, quando necessárias, sejam realizadas com rapidez e segurança devem ser o desejo de qualquer gestão de infraestrutura, mas para que isto seja plausível, medidas preventivas e que deem condições da manutenção atuar de forma objetiva são primordiais.

Os olhos menos atentos dão maior atenção aos equipamentos ativos, os quais possuem sua beleza e importância peculiares escancaradas à frente de milhares de reais (ou dólares, como queiram). É neste ponto que a infraestrutura física “perde” o seu valor. Isto se deve ao fato de que a infraestrutura por ser estática, não aparecer, não ter luzinhas piscando e podendo chegar a ser robusta (e, em alguns casos, até feia), passa a ser “deixada de lado”, uma vez que os cabos já foram passados, os equipamentos nelas afixados, etc, e tudo ficou funcionando. É aí que mora o perigo! Há clientes que só conseguem enxergar o que está ao alcance da visão, ou seja, se ficou bonito, discreto e, principalmente, funcionando. Ele, o cliente, não tem que, necessariamente, entender de cabeamento e redes! Não! É você, técnico ou empresa, que tem a responsabilidade de entregar uma solução que atenda a demanda contratada e que garanta o seu funcionamento e performance por, ao menos, 20 anos. É preciso entender que se a infraestrutura não tiver sido projetada e instalada adequadamente, se não houver uma identificação coerente, um controle ou gestão sobre estes itens de infra, a manutenção se perderá em algum momento. Ela não estará apta a responder de forma eficiente a um chamado e, possivelmente, as janelas de manutenção precisarão de maior efetivo e tempo de execução. E, isto significa custo, certo?!

Podemos, ainda, listar algumas situações que se traduzirão em problemas, considerando-se a falta de gestão e atenção com a infra, veja:

  • Materiais de reposição poderão ser adquiridos de forma equivocada;
  • Encontrar um cabo de um determinado ponto que está conectado em tal equipamento na porta “x” do patch-panel será um grande sacrifício para ser encontrado;
  • Uma canaleta (ou qualquer outro tipo de material para acomodação de cabos) poderá estar com sua capacidade no limite e a equipe de campo propondo passar outro cabo sem saber se tem condições para isso – existe registro (projeto As-built)? – aliás, um As-built atualizado reduz tempo de resposta;
  • Excesso de patch-cords embaixo de racks acumulados entre si (para não dizer embolados e estão fora do alcance dos olhos) gerando NEXT, Perda por Inserção, Perda de Retorno, Alien Crosstalk;
  • Patch-panels sem portas identificadas;
  • Patch-cords sem identificação;
  • Cordões ópticos com seus limites de raios de curvatura excedidos;
  • Polimento de conectores ópticos incompatíveis;
  • Falta de identificação de toda ordem como as rotas dos cabos outdoor, caixas de passagem, caixas de emenda, fibras, tipos de fibras, DIOs;
  • Dentre outras várias possibilidades.

Como podem perceber, é possível continuar a escrever diversas outras situações que demonstrariam a importância que uma rede bem documentada pode trazer em benefícios para a gestão e resultados de uma empresa. Os riscos envolvidos na má identificação, documentação e gestão vão muito além, e é por isso que os clientes precisam ser atendidos por empresas sérias, preocupadas com cada um dos detalhes acima apontados.

Por experiência, vi empresas queimando dinheiro para fazer o que já deveria estar pronto quando da aquisição da rede (quando falo rede, quero dizer, infra, equipamentos, tudo), mas por serem leigos “não viram além dos olhos”. Apenas para exemplificar uma vivência, para se encontrar um determinado ponto numa dada empresa levou-se quase que um dia inteiro e, para complicar, era da Diretoria (a lei de Murphy é muito presente nestes momentos!). Este minúsculo exemplo mostra o despreparo da empresa em questão sob o ponto de vista de organização de sua rede. Possivelmente, os ativos de rede como switches e roteadores estavam mapeados e documentados corretamente, mas a infra

Portanto, não acreditem que a infraestrutura após sua impecável instalação (pelo menos, no visual) esteja imune aos problemas que fogem aos olhares! Que fique o alerta: é preciso ter seriedade e responsabilidade também com a infraestrutura. Lembre-se que se ela não estiver em perfeitas condições, os ativos de rede serão os únicos itens importantes do sistema. Você continua achando que a infra é tão secundária assim? Reflita antes de responder, ou então, tente menosprezá-la para experimentar o resultado!

Reinaldo Vignoli – É Engenheiro Eletricista, fomado pela PUC/MG, possui MBA em Gerenciamento de Projetos, especialista em Projetos,

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