Enviado em 21.05.2018

Técnicas e cuidados para lançamento de cabos

Hoje quero apresentar a vocês algumas observações que são importantes para um bom início de instalação de cabos em sua rede estruturada. A maioria das dicas que irei apresentar se destinam a cabos de pares trançados (UTP ou STP) e aos cabos ópticos também.

Hoje quero apresentar a vocês algumas observações que são importantes para um bom início de instalação de cabos em sua rede estruturada. A maioria das dicas que irei apresentar se destinam a cabos de pares trançados (UTP ou STP) e aos cabos ópticos também.

  • Os cabos devem ser lançados ao mesmo tempo a partir de suas caixas ou bobinas – esta prática facilita e otimiza o trabalho de lançamento.
  • Observar a taxa de ocupação da infraestrutura – item já abordado em um de nossos artigos. https://www.ispblog.com.br/2018/04/13/dimensionamento-de-infraestrutura-para-cabos/Se a taxa de ocupação não for observada, a força na tração durante o puxamento dos cabos poderá danificar a capa externa dos cabos alterando as suas características construtivas, sendo que o problema se torna mais grave nas curvas de eletrodutos.
  • Observar, também, os raios mínimos de curvatura (vide quadro abaixo);

Raios de Curvatura Mínimos para cabos e dutos

  • Cuidado com o estrangulamento dos cabos instalados em “chicote” – o acúmulo de cabos uns sobre os outros faz com que haja um sobrepeso entre eles e o consequente estrangulamento dos cabos, assim como a utilização de abraçadeiras plásticas apertadas excessivamente. Aqui cabe um comentário: as abraçadeiras plásticas devem ser evitadas para amarração de cabos de pares trançados pela razão citada, mas se usadas com critério e cuidado não comprometem a integridade dos cabos. O problema é: como garantir que esta abraçadeira será usada com critério e cuidado? Desta forma, evitar é a melhor opção.
  • Evitar as sobras excessivas de cabos para não gerar Alien crosstalk. Acomodar as sobras em forma de 8 – esta prática poucos fazem uso por desconhecimento. Acomodando a sobra dos cabos nos racks desta maneira reduz-se as interferências por indução de corrente entre os condutores, sendo assim, diminui o Alien Crosstalk.
  • Evitar o reuso de cabos de outras instalações – não é usual a reutilização uma vez que o cabo instalado já recebeu cargas de tração e torção ao serem lançados e passarão por novo stress no próximo lançamento, diminuindo drasticamente as possibilidades de uma performance conforme suas especificações originais.
  • Identificar os cabos durante o lançamento – as identificações de cabos, assim como rotas (caminhos) e ambientes (espaços), é de suma importância para que se tenha a gestão de sua rede física nas mãos. O desconhecimento de rotas e a falta de identificação dos cabos traz muitos problemas nas manutenções. Isso é sério!
  • Não utilizar recursos como: vaselina, sabão, detergente, graxa, etc, para facilitar lançamento. Deterioram a capa do cabo, reduzindo a sua vida útil – para início de conversa, se há necessidade de uso de alguns destes produtos é porque a infraestrutura já deve estar comprometida em ocupação. E se houver, de fato, necessidade em usar tais produtos, o mercado oferece uma gama destinada a este fim.
  • Cabos de pares metálicos não combinam com umidade, portanto, cuidado com dutos com umidade excessiva e cabos expostos à intempéries – para ambientes com tais características é preciso que os cabos sejam projetados para estas circunstâncias, do contrário, o tempo útil dos cabos será reduzido e trará complicações para a sua rede.
  • Evitar lançar cabos em infra com “arestas vivas”, rebarbas e pontas de parafusos voltadas para dentro da infraestrutura – os cabos sob lançamento serão arrastados pelo duto, e o contato com rebarbas e pontas danificará a capa podendo atingir os condutores e alterando a capacidade de isolamento destes. Portanto, a aquisição de materiais de infraestrutura de boa marca evitando as “pontas vivas” e a correta orientação dos instaladores para que os parafusos fiquem com as pontas para fora são medidas que fazem diferença.
  • Fontes de calor devem ser evitadas. Os cabos, em geral, suportam até 60°C – altas temperaturas em usinas, por exemplo, e na indústria de uma forma geral, devem ser observadas pelos projetistas para se evitar a redução no desempenho dos cabos.
  • Prever separação entre cabos de rede e elétricos – esta é uma medida acertada, embora exista uma limitação para que cabos UTP e elétricos possam ser instalados lado a lado conforme tabela abaixo.

Espero que estas sugestões possam ajuda-los a melhorar cada vez mais as suas instalações, e caso precisem de mais orientações entre em contato: reinaldo@rvconsultoria.com.br.

Reinaldo Vignoli é Engenheiro Eletricista, formado pela PUC/MG em 1994, possui MBA em Gerenciamento de Projetos, especialista em Projetos de Infraestrutura Física de Redes e Professor Universitário. Vignoli também é consultor e projetista, ministra treinamentos técnicos de cabeamento estruturado e redes ópticas e é colaborador da norma de cabeamento estruturado ABNT NBR 14565:2013, além de produtor de conteúdo sobre cabeamento em mídias sociais.
Site: www.rvconsultoria.com.br

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