Enviado em 06.03.2020

A escolha de todos os dias

“O nosso desejo não é que as mulheres tenham mais poder sobre os homens, mas que tenham mais poder sobre si próprias”

Somos mulheres e sonhamos alto. Um dos problemas é que queremos nos superar e não apenas ser mulher. Algumas de nós carregam o mundo nas costas, outras sentem que carregam. E acreditem, uma coisa não é diferente da outra.

Não queremos ser mulher DE provedor. Lutamos para ser mulher NO provedor. Um pequeno jogo de palavras que demostra um espaço a percorrer na criação e no estabelecimento de parâmetros meritocráticos de liderança que possam informar, de forma justa, a ascensão das mulheres dentro das empresas. Nosso setor ainda é pautado por padrões de dinâmica de trabalho e avaliação de desempenho notadamente masculinos.

Esse cenário que não enxerga a mulher enquanto mulher prejudica o amadurecimento do nosso mercado. Tanto as empresas como a sociedade saem perdendo.

Brasil afora, identificamos que a gestão dos provedores costuma reforçar estereótipos que subestimam a capacidade das mulheres e as relegam a “funções tidas como tradicionalmente femininas”. Reforçando característica própria do mercado de tecnologia, notamos haver uma segmentação e generificação (reserva de determinadas profissões a cada um dos gêneros) e estratificação de trabalhos (reserva dos espaços de poder ao gênero masculino). O ambiente corporativo ainda está pautado em processos estabelecidos quando às mulheres era conferido o espaço doméstico.

A mulher abraça a família e a casa, ama seu dom de guarda e cuidado com os filhos. Ou opta por nada disso. Não são papéis desempenhados, mas sim exercício de livre arbítrio, de plenitude de escolha de relacionamentos. Talvez, dessa maneira, se consiga explicar que não se trata de “sobrar tempo ou espaço” para outras coisas, inclusive para o trabalho.

A mulher extrapola os mitos da feminilidade. A cor rosa, o amor romântico, a maternidade e a delicadeza simbolizam apenas aspectos da sua livre escolha. Devemos entender essa autonomia da mulher e sua plena capacidade de trabalho como a base para fomentar as demais virtudes.

O respeito às mulheres vai além do ambiente corporativo do provedor e endereça uma preocupação mundial: a promoção de esforços para se atingir a verdadeira “conectividade universal significativa”, conceito esse que se traduz na caracterização da banda larga não apenas como disponível, acessível e relevante, mas também segura, confiável e inclusiva. Nesse sentido, a plenitude de trabalho da mulher no provedor não se esgota na questão da equidade de gênero, mas sim é fator essencial para permitir a multiplicidade de opinião e prova de conceito de perfil de consumo e de acesso nas mesmas empresas.

Em um ambiente corporativo marcado pela tecnologia e pela tecnicidade da infraestrutura, ainda que haja equidade para a mulher ascender ao topo do provedor e efetivamente abraçar um cargo de liderança, elas acabam por ficar de fora da cultura dominante. Diante disso, buscam ao máximo adquirir conhecimento e se profissionalizar na área, a fim de se provar e sobressair. Temos o dever de compreender qual a verdadeira razão de ser dessa dinâmica. Podemos, sim, interpretar as relações de trabalho ao mesmo tempo em que tentamos transformá-las. Isso é conscientização e amadurecimento. O futuro do acesso à internet também depende disso.

Câmara Abrint Mulher

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