Enviado em 19.01.2018

Aterramento – Proteção Elétrica da sua Rede

No post de hoje vamos falar sobre proteção de ambientes técnicos, mais especificamente, sobre a aterramento, e garantir a segurança da sua rede.

Olá pessoal, estamos de volta! Não é tarde para desejar um 2018 de muitas oportunidades a todos. Que seja um ano mais promissor!

Hoje abordarei um tema que muitos não se preocupam, ou quando o fazem, em geral não se atentam para detalhes de suma importância, ou por falta de conhecimento, ou por negligência. Vamos falar sobre proteção de ambientes técnicos, mais especificamente, sobre a aterramento, e vou dividir em duas etapas. No primeiro, vou passar pelo sistema externo, e no próximo post, finalizo com a integração com a parte interna.

Inicialmente, precisamos desmistificar uma coisa: Aterramento compõe uma solução que possui outras duas partes, sendo elas a Captação e a Descida. Os três juntos formam o sistema de proteção contra descargas atmosféricas (ou SPDA). Logo, quando falamos em “Aterramento” vamos muito além de barras de cobre enterradas!

Suponhamos uma empresa sediada em uma edificação própria de 10 andares. Obviamente, o prédio acomodará diversos serviços, considerando alguns deles: sistema elétrico, automação predial, detecção, alarme e combate a incêndio, controles de acesso, sistemas de monitoramento, sistema de cabeamento estruturado, sistema de ar-condicionado, utilidades… Para o nosso exemplo, em função do nosso escopo técnico, faremos, inicialmente, sobre o cabeamento estruturado o qual é responsável por quase todos os sistemas destacados.

Adendo: “Assim como fazemos quando projetamos um sistema de cabeamento, onde devemos ter ciência das normas que envolvem esta disciplina, para um sistema de aterramento, ou de proteção contra descargas atmosféricas, não será diferente. As normas devem ser sempre consultadas e os projetos baseados nas mesmas, sendo assim, ao se decidir elaborar qualquer projeto que seja, busque empresas sérias e instaladores capacitados.”

Voltando ao sistema de aterramento. Para que possamos oferecer algum nível de proteção, primeiramente, às pessoas que frequentam o prédio e, posteriormente, aos equipamentos de rede e outros mais, precisamos de um bom projeto de proteção, o qual envolve a captação das descargas atmosféricas, o caminho de descida das elevadas correntes dos raios e a dissipação destas correntes na terra. Cada um destes três passos demanda seus próprios detalhes e posso citar alguns aqui de forma mais abreviada:

  1. Captação: utilização de captores no alto do prédio de forma a atender as normas de proteção, criando entre estes uma vinculação através de cordoalhas metálicas formando, desta maneira, uma malha no topo da edificação. Esta estrutura será capaz de fornecer à descarga atmosférica um bom caminho para a terra, ou seja, tudo começa ali.
  2. Descida: neste “subsistema” o objetivo é permitir com que a corrente do raio alcance a terra, utilizando para tal barras metálicas que envolvem toda a edificação desde o seu topo até a sua base na terra, seguindo as orientações normativas. Este subsistema deverá ter vinculação direta com a Captação para garantir a continuidade elétrica entre as duas etapas.
  3. Aterramento: neste ponto devemos proporcionar à corrente de descida que ela se dissipe no solo da melhor forma, ou seja, com a menor resistência elétrica possível. Para isso, barras de cobre distribuídas, enterradas e vinculadas ao entorno do prédio, além de estudos da condição de condução elétrica do solo deverão ser realizados. Em alguns casos, até o tratamento do solo pode ser necessário.

É importante frisar que os três subsistemas deverão estar perfeitamente vinculados e, principalmente, equalizados entre si, de modo a garantir um bom caminho para a descarga elétrica, criando uma gaiola. Feito isso, teremos uma Gaiola de Faraday, cujo conceito diz que “uma superfície condutora sob tensão, ou seja, eletrificada, possui campo elétrico nulo em seu interior”. Estamos falando de blindagem eletrostática, a corrente percorre a superfície condutora e o seu interior mantém-se com campo elétrico nulo (depois verifique a experiência de Michael Faraday para a explicação científica citada).

No próximo post farei uma conexão entre este sistema e a proteção dos nossos equipamentos de rede e outros mais dentro de uma edificação. Até lá!

Reinaldo Vignoli é Engenheiro Eletricista, formado pela PUC/MG em 1994, possui MBA em Gerenciamento de Projetos, especialista em Projetos de Infraestrutura Física de Redes e Professor Universitário. Vignoli também é consultor e projetista, ministra treinamentos técnicos de cabeamento estruturado e redes ópticas e é colaborador da norma de cabeamento estruturado ABNT NBR 14565:2013, além de produtor de conteúdo sobre cabeamento em mídias sociais.
Site: www.rvconsultoria.com.br

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