Enviado em 03.01.2018

Protegendo seus ativos de rede

Quando se fala em infraestrutura temos diversos itens a serem destacados e, desta vez, vou falar sobre como se proteger melhor os investimentos feitos em ativos de rede da sua empresa. E é mais simples e barato do que você pode imaginar.

Todo negócio deve nos trazer retorno, do contrário para quê investir dinheiro e tempo? Às vezes considera-se a possibilidade de iniciar um negócio com o mínimo possível e depois “a gente ajusta”. O problema é que muitas vezes este “depois” chega e não se dá a devida atenção ao que devia ter sido iniciado de uma forma mais correta. A infraestrutura física de muitas empresas ainda é negligenciada no seu começo, na concepção, no projeto, seja por desejar investir menos no começo, por desconhecimento do assunto, por não envolver profissionais ou empresas capacitadas para dar a melhor tratativa à infraestrutura do seu negócio.

Quando se fala em infraestrutura temos diversos itens a serem destacados e, desta vez, vou falar sobre como se proteger melhor os investimentos feitos em ativos de rede da sua empresa. E é mais simples e barato do que você pode imaginar.

Muitos já conhecem e outros nunca ouviram falar em Interconexão e Conexão Cruzada. Ambas são formas de conectividade de cabos em hardwares de conexão, sendo eles sistemas metálicos ou ópticos. Assim como citado anteriormente, muita das vezes procede-se de certa maneira por desconhecimento do assunto, e quando isto acontece, perde-se a oportunidade de se adquirir vantagens de um sistema, o qual poderá trazer benefícios como uma vida útil prolongada, redução de paradas, melhor performance, maior flexibilidade, redução o tempo de manutenção e a própria redução desta última. No final das contas, prejuízos evitados.

Todos sabemos das necessidades de manobras de patch-cords e cordões ópticos em racks das Salas de Telecomunicações ou quaisquer salas técnicas onde há racks com equipamentos ativos e passivos. Estas manobras podem ser feitas com maior ou menor cuidado dependendo do conhecimento e da mão do técnico envolvido. A cada vez que se conecta ou se desconecta um patch-cord metálico há um desgaste microscópico em seus contatos, não é à toa que os datasheets das melhores marcas de conectores trazem a informação do número conexões máximas esperadas em seus contatos. Sendo assim, evitar conexões e re-conexões é desejável, porém são, muitas vezes, inevitáveis. Para melhor entendimento do que está se querendo apresentar observem as explicações e os desenhos abaixo, os quais representam os dois tipos de conexões que podemos ter entre ativos e passivos dentro de rack. A começar pelo formato mais interessante: Conexão Cruzada.

CONEXÃO CRUZADA

Para melhor conservação das portas dos ativos de rede em função de manobras, e também, para garantir uma política de gerenciamento da infraestrutura física mais organizada e preparada para expansões e reorganizações é interessante avaliar a opção da Conexão Cruzada. Este tipo de conectividade, que é amplamente utilizada em Data Centers, possibilita, com o seu arranjo, manobras entre hardwares de conexão através de patch-cords evitando conexões repetitivas nas portas dos switches, por exemplo, os quais possuem maior valor agregado, ou seja, custam mais ao bolso do proprietário da rede.

Este tipo de conexão é feita da seguinte maneira: deve-se espelhar cada porta do ativo de rede em um passivo, em geral, num patch-panel. Para se fazer esta distribuição basta utilizar patch-cords terminados em uma única extremidade, que devem ser adquiridos de fábrica, conectar a ponta com o RJ45 no switch e a ponta não terminada finalizada atrás do patch-panel. Desta maneira, um switch de 24 portas Ethernet deverá ter 24 patch-cords espelhando suas portas num patch-panel.

O segundo passo será conectar este patch-panel (que é o espelho do switch) ao patch-panel do cabeamento horizontal, criando assim, a dita Conexão Cruzada. Neste caso, não há mais intervenções diretas nas portas dos ativos. Veja o desenho a seguir.

INTERCONEXÃO

Neste caso, não há maiores preocupações no cuidado com os ativos de rede, como descrito anteriormente. Geralmente, encontra-se esta configuração em instalações menores, ou que a verba do projeto é relativamente restrita, ou ainda, quando não há espaço suficiente para mais elementos no rack (o que já caracteriza, talvez, um erro inicial de projeto). Portanto, trata-se de uma implementação mais simples.

Esta conexão é feita sem o espelhamento comentado na Conexão Cruzada, significa que o conector da porta do switch se conectará diretamente à porta do patch-panel, sem outro hardware passivo entre eles, o que caracteriza uma Interconexão. Observe o desenho abaixo:

 

Estas são práticas bastante difundidas no mercado, cada uma com o seu “peso” e que devem ser consideradas em cada projeto dependendo das variáveis de demandas, criticidade, valor de investimento dentre outros. Mas, fica a dica, melhor trocar um patch-panel com uma ou mais portas danificadas do que ter o mesmo problema em um switch!

Reinaldo Vignoli é Engenheiro Eletricista, formado pela PUC/MG, possui MBA em Gerenciamento de Projetos, especialista em Projetos de Infraestrutura Física de Redes e Professor Universitário. Vignoli também atua como consultor e projetista, ministra treinamentos técnicos de cabeamento estruturado e redes ópticas e é colaborador da norma de cabeamento ABNT NBR 14565:2013, além de produtor de conteúdo sobre cabeamento em mídias sociais. Site: www.rvconsultoria.com.br

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