Enviado em 29.11.2017

Internet das Coisas versus ISP’s – Oportunidades ou desafios?

Internet das coisas é um futuro já presente em nossas vidas. Se trata de termos várias “coisas” conectadas à internet.

Internet das coisas é um futuro já presente em nossas vidas. Se trata de termos várias “coisas” conectadas à internet. Estudos de mercado apresentam a expectativa de um crescimento exponencial da quantidade de dispositivos ou “coisas” conectadas à internet até 2020.

Os termos “smart-alguma coisa” já começam a aparecer no mercado. O mais comum deles é o de “smart-city” que vem surgindo como conceito de “cidade-inteligente”. Esta é uma das aplicações de Internet das Coisas (Internet of Things – IoT) que vêm ocupando uma boa fatia de mercado onde com serviços como sistemas de vídeo-monitoramento, monitoramento e controle de iluminação pública, níveis de rios e lagos para prevenção de enchentes, florestas próximas a áreas urbanas para a prevenção de incêndios, entre outros.

Na aplicação de “smart-city”, um dos requisitos será uma infraestrutura de rede que cubra os pontos a serem monitorados ou controlados. “Empresa”? Sim, esta é uma aplicação de IoT que permite um modelo de negócio diferente. Então começaram por aí as oportunidades. A primeira delas seria a prestação deste serviço de monitoria para uma prefeitura ou entidade empresarial qualquer uma vez que a infraestrutura de rede de um ISP (Internet Service Provider) pode cobrir tal área. Onde diversas tecnologias podem ser simultaneamente usadas para atender esta necessidade.

Em outra aplicação a “smart-agriculture”, a maior dificuldade é o acesso à internet propriamente dito pois, em alguns casos, somente o satélite atende e outra é a tecnologia adequada à esta situação de cobertura e tráfego. A primeira oportunidade e o grande desafio surgem aqui. O retorno a longo prazo para atendimentos neste caso pode ser promissor devido ao grande valor agregado deste produto “acesso à internet”. Trata-se, realmente, de um negócio diferenciado. Tanto que algumas tecnologias vêm surgindo com força no mercado para cobrir esta lacuna de atendimento. Como exemplo estão as tecnologias ZigBee, 6LoWPAN, LoRa, SigFox entre outras.

Estes são dois entre diversos exemplos de aplicações que estão ou podem surgir no mercado. A questão é: o que o ISP tem a ver com isso?? Será esta evolução um desafio aos ISP’s quanto à geração de tráfego, requisitos específicos de aplicações ou clientes, armazenamento de dados, autenticações, filtros, firewalls, etc. Ou serão, todos estes pontos, oportunidades de mercado?

Outro aspecto desta evolução da internet para as coisas é questão da gestão da informação: privacidade, segurança e administração. Como gerir autenticações, validações, privacidade e segurança de dispositivos (sensores, atuadores e gateways) na rede de um ISP? Aplicações como “smart-city” ou “smart-agriculture” podem não ter a necessidade de uma ou alguma das características acima, mas aplicações como a “smart-home” pode expor publicamente informações privadas e pessoais (monitoramento, trancas de portas, portões automáticos, iluminação, irrigação, o dispensador da comida do cachorro, o aquecedor da banheira e muitas outras aplicações).

Existe aqui outra oportunidade que oferece um forte desafio aos ISP’s, o chamado firewall de ISP para IoT. O dispositivo de acesso do cliente é inteligente e, trabalhando em conjunto com datacenter, pode atuar como um filtro inteligente semelhante a um firewall automatizado que entende a “smart-home” do cliente e pode funcionar como um antivírus, anti-malwares e filtros protegendo dispositivos IoT que não podem defender-se sozinhos. Considerando o alto valor das proteções antivírus e anti-malwares do mercado, o firewall de ISP pode ir mais longe. Além de detectar quais dispositivos que se conectam à rede do cliente são IoT (em oposição à laptops, desktops, smartphones, smart-TV’s) e aprender quais serviços estão autorizados a conversar com eles, o firewall de ISP, com o front-end adequado ao consumidor, pode oferecer um inventário de dispositivos ativos ou não na rede, autorização de adesão de novos dispositivos na rede, a classificação dos serviços e atribuições de perfis para estes dispositivos, além do tradicional controle destes.

A necessidade de adequação e atualização de um ISP para suportar o novo domínio de tecnologias das IoT’s virá de encontro com o modelo de negócios adotado pelo ISP perante a este novo mercado que crescerá de forma exponencial a partir de agora. É normal que as redes dos ISP’s tenham dificuldade de acompanhar a evolução dos dispositivos (protocolos, hardwares e chipsets) e seus diferentes requisitos de QoS (Qualidade de Serviço), latência, volume de tráfego, segurança, privacidade e outros pois a evolução da arquitetura de redes para suportar esta evolução não é tão simples e dependerá tanto de uma visão técnica de rede quanto a soluções e implementações, como também dependem da visão de objetivos e de negócio do ISP. Certamente, aquele que inovará nestes aspectos e terá a maior fatia de mercado em um futuro próximo.

Luiz Oliveira é Especialista em Sistemas com formação em Engenharia de Telecomunicações pelo INATEL, e atualmente pesquisador pela mesma instituição. Com mais de 17 anos de mercado atuou como engenheiro de sistemas e de treinamento de redes de acesso xDSL, xPON, redes de transporte backhaul e backbone IP e MPLS em multinacionais como Ericsson, Alcatel, ZTE e Huawei. Atua como consultor Técnico pela empresa Ei Consulting.

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