Enviado em 27.10.2017

Parâmetros de desempenho de cabos de pares trançados

Você já deve ter ouvido a seguinte pergunta: “O cabeamento é certificado? ”. Pois é, e do que se trata? Vamos esclarecer aqui […]

Você já deve ter ouvido a seguinte pergunta: “O cabeamento é certificado? ”. Pois é, e do que se trata? Vamos esclarecer aqui e agora!

O termo “certificado” quer dizer que o cabeamento, após o final da sua instalação, foi testado conforme determinados parâmetros técnicos e padronizados, os quais garantirão o perfeito fluxo das informações atendendo a relação entre resposta em níveis de Frequência x Velocidade x Distância.

Os testes de certificação são realizados por um equipamento conhecido como: SCANNER. Veja bem que neste caso não estamos falando naqueles “certificadores” que detectam se os pares estão em curto, ou trocados, ou abertos…um SCANNER de verdade é muito mais do que isto. Com um SCANNER pode-se realizar diversos testes que garantirão o status do seu cabeamento, com o qual a sua rede estará certificada para um desempenho de acordo com o sistema instalado, ou seja, condições esperadas para a categoria implementada, Cat. 5e, Cat 6, Cat 6A, Cat. 7 e Cat. 7A.

Eis alguns dos testes de certificação realizados com um SCANNER:

  • Wiremap
  • Comprimento
  • Atenuação (Perda por Inserção)
  • Diafonia
    • NEXT (Near End Crosstalk) – Paradiafonia
    • FEXT (Far End Crosstalk) – Telediafonia
  • ACR (Attenuation to Crosstalk Ratio)
    • ACRN (Attenuation to Crosstalk Ratio Near End)
    • ACRF (Attenuation to Crosstalk Ratio Far End)
  • Powersum
    • PS NEXT (Powersum NEXT)
    • PS FEXT (Powersum FEXT)
    • PS ACRN (Powersum ACRN)
    • PS ACRF (Powersum ACRF)
  • Perda de retorno
  • Atraso na propagação
  • Diferença de atraso de propagação (Delay Skew)
  • NVP (Nominal Velocity Propagation)

Vamos ver os conceitos de cada um destes parâmetros:

WIREMAP

Este teste verifica:

  • Continuidade do condutor 1 ao 8;
  • Informa se um condutor está aberto;
  • Se há curto-circuito entre pares ou condutores;
  • Se existe inversão de pares, pares divididos ou transpostos.

COMPRIMENTO

O comprimento máximo reconhecido pelas normas para os cabos de pares trançados de 4 pares é de 90 metros para o enlace permanente e de 100 metros para o canal (este considera os patch-cords em ambas as extremidades).

ATENUAÇÃO (PERDA POR INSERÇÃO)

É a perda de potência ao longo do segmento de cabo, a qual ocorre em função das perdas de características elétricas como a resistência do cabo. É expressa em decibéis (dB). Em outras palavras, é a relação entre a potência de entrada e a potência transmitida em um canal de transmissão. Quanto menor a atenuação melhor!

DIAFONIA

É o maior fator limitador de desempenho em sistemas e comunicação digital em cabos de pares trançados. Também conhecida como Crosstalk.

“Pode ser entendida como a interferência eletromagnética entre sinais (digitais ou analógicos) que se propagam por diferentes pares dentro de um cabo balanceado com ou sem blindagem” (Paulo Marin – Cabeamento Estruturado Projeto e Instalação – 2015).

Influenciam na Diafonia:

  • Aspectos construtivos do cabo;
  • Bitola dos condutores;
  • Passo de torção de cada par;
  • Material isolante;
  • Simetria entre os pares.

A Diafonia não pode ser eliminada, porém pode ser minimizada, com:

  • Terminações balanceadas;
  • Entrelaçamento dos pares com diferentes passos de torção dentro do mesmo cabo;
  • Qualidade na fabricação dos cabos;
  • Uso de cabos blindados;
  • Práticas de instalação baseadas em normas.

Existem duas formas de Diafonia: a Paradiafonia e a Telediafonia.

  • Paradiafonia ou NEXT: Diafonia medida no par interferido, percebida (medida) pelo receptor localizado no mesmo lado da origem do sinal irradiador (fonte do ruído). Pode-se analisar este mesmo parâmetro entre cabos adjacentes instalados numa mesma infraestrutura, neste caso, teremos o ALIEN CROSSTALK.

  • Telediafonia ou FEXT: Diafonia medida no par interferido, percebida (medida) na extremidade oposta àquela onde se encontra o sinal interferente.

ACR

O ACR significa a análise do sinal útil, ou seja, elimina-se a atenuação e a diafonia e tem-se o sinal “puro”, ou ACR.

Este teste é importante pois avalia a largura de banda do canal. Este teste é a verdadeira relação SNR, sinal-ruído na entrada do receptor. Quanto maior melhor.

Todos estes testes são realizados par a par, sendo assim, os resultados no SCANNER aparecem por par, mas a influência eletromagnética nos cabos não ocorre apenas em um par por vez, e sim, em todos ao mesmo tempo. Por isso, os testes incluem a análise POWERSUM, ou seja, quando um par é analisado sob a influência dos demais pares. Desta forma, surgiram os testes: PS-NEXT, PS-FEXT, PS-ACRN e PS-ACRF. Em outras palavras, são os testes acima explicados analisando-os sob a lógica do POWERSUM.

Por fim, ainda existem 3 últimos testes, quais sejam:

  • Perda de Retorno: Medida muito importante, pois apresenta todas as reflexões (analisadas dentro de um espectro determinado de frequências) causadas por anomalias de impedância ao longo do cabo, dada em dB. A relação entre as impedâncias do segmento de cabo e os equipamentos ativos de rede devem ser iguais para garantir uma boa transferência de potência. É um excelente indicador se as conexões foram bem executadas. É, também, um indicador de desempenho para sistemas VoIP por causa do jitter de fase, gerando atrasos de comunicação.
  • Atraso na propagação: É o tempo (em ns) que o sinal leva para propagar-se entre o transmissor e o receptor ao longo de um cabo. Está relacionado diretamente com as características construtivas (isolamento, passo de torção) e elétricas (resistência, capacitância, indutância) do cabo.
  • Diferença de atraso de propagação (Delay Skew): Este parâmetro representa a diferença de tempo entre o par mais rápido e o mais lento. Esta diferença se faz importante, principalmente, em transmissões que utilizam os quatro pares. O ativo de rede tem que receber os pacotes de informações dentro de um limite aceitável de diferença de tempo entre cada um.
  • NVP (Nominal Velocity Propagation): Parâmetro mais importante na determinação do comprimento de um cabo. O equipamento de teste emite um sinal de teste e cronometra o tempo de ida e de volta, comparando com a velocidade da luz (NVP do cabo *) e divide o resultado por 2.

* Para se conhecer o NVP de um cabo, consulte o catálogo do fabricante, pois o NVP é um percentual da velocidade da luz no vácuo.

Portanto, quando for instalar sua rede, lembre-se de certifica-la de forma a garantir o melhor desempenho do seu cabeamento contratando uma empresa capacitada e treinada, a qual estará habilitada em certificar a sua rede com o uso adequado de SCANNER.

Reinaldo Vignoli é Engenheiro Eletricista, formado pela PUC/MG em 1994, possui MBA em Gerenciamento de Projetos, especialista em Projetos de Infraestrutura Física de Redes e Professor Universitário. Vignoli também é consultor e projetista, ministra treinamentos técnicos de cabeamento estruturado e redes ópticas e é colaborador da norma de cabeamento estruturado ABNT NBR 14565:2013, além de produtor de conteúdo sobre cabeamento em mídias sociais. Site: www.rvconsultoria.com.br

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