Enviado em 30.08.2017

Frequências adquiridas no leilão da ANATEL

o serviço outorgado pela ANATEL chamado de SMP permite a mobilidade por parte dos usuários.

As implantações destes sistemas requerem uma série de peculiaridades e devem ser bem planejadas, assim como, a operação e a manutenção devem ter seu foco em treinamento e sobressalentes de maneira efetiva.

Como podemos ver pelo quadro acima temos algumas informações a esclarecer e comparar.

O serviço prestado pelas operadoras de telefonia celular se utiliza da tecnologia FDD, ou seja, temos simultaneamente uma frequência de subida e outra de descida ativadas durante as comunicações ou troca de dados, o serviço outorgado pela ANATEL chamado de SMP permite a mobilidade por parte dos usuários. Na quarta geração de evolução tecnológica dos serviços, estamos no LTE (Long Term Evolution).

Os provedores de internet com licença SCM não se utilizam da mobilidade, estão fixos. A ANATEL destinou faixas de frequência para serem usadas com o método TDD, que nada mais é do que utilizar a mesma frequência para transmitir e receber informações chaveadas no tempo. Esta tecnologia além de ser mais barata em termos de equipamentos (por se utilizar de um único dispositivo de RX e TX e não dois, como acontece no FDD) apresenta outras vantagens preciosas e sistêmicas para o serviço SCM. A tecnologia que utilizaremos também pode ser a LTE só que adaptada ao esquema TDD.

Outro ponto interessante é a largura de banda (BW) de cada faixa (5 Mhz, 15 Mhz e 35 Mhz). Cada BW permite uma taxa máxima de dados, sendo a menor taxa de 5 Mhz (F e G) e a maior taxa de 35 Mhz (I). Mas, em que isto nos afeta? Quanto maior for a taxa, mais clientes poderão ser atendidos pela estação (E-NODEB). No entanto, é implícito que o Circuito de dados que alimenta o sistema tenha que suportar a taxa também, por exemplo, uma E-NODEB pode fornecer uma taxa máxima de 100 Mbps, contudo, tem que ter chegando a ela um circuito com uma taxa de pelo menos 100Mbps para prover de maneira Wireless a mesma taxa, além disto, esta taxa é dividida pelos diversos usuários, seguindo quase o mesmo modelo hoje praticado para os acessos de rádio e de fibra na utilização do circuito alugado da concessionária. O Fator de multiplicação que define o quantitativo de clientes a ser comercializado é calculado quase da mesma forma também.

O sistema a ser projetado possui:

  • Rede de acesso – Constituída pelo equipamento do cliente (user equipamento) e a estação (E-NODEB).
  • Core de Rede – São os elementos que controlam a rede como um todo e fazem sua interface com o mundo externo e o controle da rede por parte do próprio provedor.
  • Rede de transporte – É a rede que interliga os equipamentos ao core e o core ao mundo.
  • Rede de sincronismo – Dependendo do tamanho do projeto temos a necessidade de uma rede de sincronismo para propiciar o funcionamento adequado ao TDD.
  • Sistema OSS – Sistema de supervisão e operação de todo o sistema, ele propicia o monitoramento, resolução de falhas, comissionamento de clientes, configurações da rede, etc.

Em termos de custo, o core normalmente é o mais caro de todos os sistemas. Devido a peculiaridade dos projetos, seria interessante considerar que pequenos provedores se unam para utilizar de um mesmo core de rede e rateiem seus custos de operação e manutenção.  Na figura abaixo é apresentado uma visão geral do sistema fornecido pelo CPQD em uma apresentação pública, o EPC equivale ao Core e o EPS ao Acesso.

Está pensando em iniciar os estudos para o projeto, então sugiro que siga os passos descritos a seguir, vale ressaltar que estas considerações são baseadas única e exclusivamente em experiência de anos de trabalho na área de sistemas Wireless e não tem o intuito de ser o fim, também não temos convênio ou acordo de nenhuma espécie com fornecedores de sistemas e equipamentos.

  1. Pré-projeto – Efetuar um projeto básico inicial enfatizando na cobertura e no quantitativo dos clientes que se pretende atingir. Plotar aproximadamente o local onde os mesmos estarão localizados.
  2. Identificar fornecedores – Identificar possíveis fornecedores dos equipamentos.
  3. RFI – Lançar uma requisição de informações (RFI) com o pré-projeto e enviar para os fornecedores. Neste ponto é interessante que o maior número de ISP’s possíveis lancem uma única RFP em conjunto.
  4. Análise das RFI’s – Análise das propostas recebidas dos fornecedores e a equalização das mesmas.
  5. Definição de proposta – Definir a proposta conjunta de fornecimento de serviços e equipamentos, bem como a estratégia de contratar diretamente, para alguns trabalhos, pequenos fornecedores de serviços e equipamentos e elaborar estrutura do projeto no MS-PROJECT ou software similar.
  6. RFP – Lançar uma requisição de propostas com o projeto definido para cotação de todos os fornecedores possíveis.
  7. Análise das propostas – Receber as propostas e analisar, bem como negociar valores.
  8. E por fim contratar o projeto.

Segue abaixo alguns dados coletados sobre o leilão:

Gráfico 1 – Municípios licitados por Estado

Figura 2 -Blocos de Frequência por Estado

As implantações destes sistemas requerem uma série de peculiaridades e devem ser bem planejadas, assim como, a operação e a manutenção devem ter seu foco em treinamento e sobressalentes de maneira efetiva.

Este projeto pode ser muito efetivo e econômico se feito por diversos provedores ao mesmo tempo e os serviços como montagem, se bem gerenciados, podem ser contratados diretamente, evitando assim, os custos do fornecedor de serviço. Outro ponto peculiar é a questão de torres ou estruturas verticais, é muito importante se atentar para o carregamento das mesmas evitando possíveis danos futuros aos circundantes da estrutura. Não menos importante, temos que licenciar cada nova estrutura nos órgãos municipais.

Claudio Oliveira Lopes é engenheiro em telecomunicações com mais de 22 anos de experiencia em sistemas de telefonia celular, atuando tanto em projeto, implantação e operação e manutenção de redes de acesso, transporte e core de rede. Passou por diversas empresas como TELEPAR CELULAR, CTBC CELULAR, ENGESET, SCALAR E OI.

A Revista do Provedor!
Fornecemos conteúdo de qualidade, especializado, produzido por grandes nomes do setor de telecomunicações, e tudo isso gratuitamente por meio das mais de 2 mil publicações impressas por edição, além da versão online.

Comentários