Enviado em 31.05.2017

Microdutos e Microfibras

Os microdutos e microfibras estão ganhando muito espaço no segmento das redes ópticas de média e longa distâncias. Na minha opinião vieram para ficar!

Vivemos em constante evolução tecnológica, basta ver o avanço fulminante dos aparelhos eletrônicos como os celulares. Você se lembra como era 10 anos atrás? Pois é, a tecnologia caminha a passos largos de forma que é difícil manter-se antenado em tudo que acontece, porém é interessante estarmos atentos como ela avança na nossa área de atuação.

Já faz alguns anos que venho acompanhando e trabalhando com um produto que, na minha modesta opinião, está ganhando muito espaço no segmento das redes ópticas de média e longa distâncias. Trata-se dos microdutos e microfibras. Esta solução chegou ao Brasil há poucos menos de 10 anos, e já é utilizada em algumas capitais na América Latina como Buenos Aires e Montevidéu, e há bem mais de uma década na Europa.

A solução é bastante interessante e pode trabalhar em conjunto com os cabos ópticos tradicionais ou simplesmente como solução única. A ideia é criar uma rede que dê capacidade de ampliação sem novos investimentos em infraestrutura. Os microdutos são dutos que possuem diâmetros e composições variadas e que podem ser “customizados” para cada necessidade, incluindo as cores dos dutos internos e da capa externa. Uma vez definidas as rotas das fibras, a infraestrutura de microdutos é instalada em postes (espinada ou auto-sustentada), subterrânea ou diretamente enterrada.

Os microdutos permitem com que o trânsito seja menos impactado durante a instalação pela velocidade em que são instalados, o que passa a ser uma vantagem considerável quando lembramos dos grandes centros urbanos com carros e pessoas em grande quantidade. Outro ponto forte é o aspecto ambiental, uma vez que a poluição visual hoje é motivo de debates, e nesse aspecto os microdutos ganham notoriedade por não exigirem muito espaço para instalação, e ainda assim, permitindo que numa única estrutura dezenas a milhares de fibras sejam roteadas para diversos fins.

A partir do momento em que a rede de microdutos, ou seja, a parte de infraestrutura está concluída basta “soprar” as microfibras, as quais vêm agrupadas de 2 a 24 fibras num único “cordão ou elemento” que as envolve e protege. Tal sopramento traz redução de tempo de instalação e, consequentemente, em mão de obra, pois é feito com uma máquina especial de sopramento que tem dimensões reduzidas sendo carregada em uma maleta. Em suas extremidades as microfibras são terminadas convencionalmente através de fusões em DIOs ou qualquer outro dispositivo de conexão óptica. Há técnicas que sopram não só as microfibras, mas também os microdutos, tudo dependerá do fabricante em questão.

Um dos apelos da tecnologia é permitir expansões sem a necessidade de se fazer intervenções na infraestrutura, como cortes de ruas e calçadas, ou subir em postes. Mesmo que seja necessária alguma intervenção como essas, a ação é rápida e eficiente. Por outro lado, ainda pode-se utilizar a infraestrutura eventualmente existente como, tubulações subterrâneas ou bandejamentos, para a passagem dos microdutos.

Aqui no Brasil ainda aguardamos a posição da Anatel sobre os requisitos técnicos da solução para que os fabricantes se adequem e possam fornecer os produtos conforme tais especificações. Estas definições envolvem diversos profissionais de operadoras, fabricantes de soluções ópticas e a ABNT, e vem sendo discutida há uns dois anos de maneira sistemática. A homologação dos microdutos deve acontecer em breve, e se faz urgente, já que o uso dos postes nos grandes centros está cada vez mais crítico com enormes quantidades de cabos, não apenas de Telecomunicações, mas também da rede Elétrica.

As aplicações dos microdutos se estendem pelas mais diversas possibilidades, uma vez que substituem os cabos tradicionais, ou seja, onde estes seriam aplicados os microdutos podem ser utilizados, veja abaixo:

  • Edificações comerciais
  • Residências
  • Indústrias
  • Setor petrolífero
  • Portos
  • Aeroportos
  • Estradas
  • Data centers
  • Redes de Operadoras de Telecom em geral, etc.

A velocidade de lançamento das microfibras (que pode chegar a 50 m/s), a grande capilaridade na infraestrutura, preços competitivos, redução de tempo e custo nas implantações, extração e reutilização das fibras, personalização com cores e quantidade de dutos, são argumentos mais do que interessantes para qualquer projeto óptico como as aplicações de FTTx e GPON.

Guardem esta dica: Microdutos e Microfibras, vieram para ficar!!!

Reinaldo Vignoli é Engenheiro Eletricista, formado pela PUC/MG, possui MBA em Gerenciamento de Projetos, especialista em Projetos de Infraestrutura Física de Redes e Professor Universitário. Vignoli também atua como consultor e projetista, ministra treinamentos técnicos de cabeamento estruturado e redes ópticas e é colaborador da norma de cabeamento ABNT NBR 14565:2013, além de produtor de conteúdo sobre cabeamento em mídias sociais.

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