Enviado em 18.05.2016

ISP’s e os Medidores de Internet

Matéria de José Mauricio Pinheiro, Publicada na Revista ISPmais – Edição 03.

A Internet deve ser tratada não como uma rede única, mas como um conjunto de redes que estão interconectadas entre si. Cada uma dessas redes é administrada por diferentes entidades globais que definem sua topologia, capacidade e qualidade. Os Provedores de Serviços de Internet (ISP’s) estão inseridos nessa rede atendendo as exigências de órgãos de controle em cada país, buscando oferecer serviços de conectividade de forma a maximizar a qualidade do serviço prestado aos usuários, para cumprir e, sempre que possível, extrapolar o nível de serviço contratado.

Seguindo esse raciocínio, quando um usuário de Internet testa sua velocidade usando um medidor a partir de um endereço web, o teste passa (e termina) em redes que pertencem a diferentes provedores de conectividade no Brasil ou mesmo no exterior. Dependendo do tráfego naquele instante e, por exemplo, se houverem outros computadores e/ou outras aplicações realizando download e/ou upload nos servidores envolvidos no teste, os resultados não serão precisos, havendo a necessidade de observação em diversos horários, inclusive ao longo do dia, no intervalo de tempo de maior tráfego de informações multimídia na rede SCM, conhecido como PMT (Período de Maior Tráfego), notadamente entre dez horas e vinte e duas horas.

Há de se ressaltar também que os medidores disponíveis (também chamados de velocímetros) têm, em primeira instância, o objetivo de auxiliar o usuário na monitoração do serviço prestado pelo provedor de Internet (Figura 1). Como funcionalidade básica, a maioria dos medidores verifica a velocidade da conexão e alguns, mais sofisticados, permitem testes básicos de conectividade (ping, trace, jitter etc.) e opções para salvar os resultados medidos para uso posterior. Entretanto, os resultados desses “medidores” não são a garantia do real status da conexão e apresentam desempenhos diferentes quando comparados com outros no mesmo horário de aferição, sem considerar ainda que o desempenho do hardware do computador usado no teste e a execução simultânea de outros programas podem afetar o desempenho das medições.

Em resumo, todos os medidores de velocidade na Internet apresentam variações na leitura da velocidade de conexão, que podem ocorrer por diversos fatores justificáveis, desde algum tipo de limitação em função do servidor acessado naquele momento, até condições do tráfego na chegada àquela rede específica. Por esses motivos, para uma medição mais efetiva, recomenda-se fazer o teste mais de uma vez, em dias e horários diferentes. É aconselhável também escolher um medidor conhecido e adotá-lo como padrão, para que seja mantida a mesma referência de medição.

 

medidor

Figura 1 – Exemplo de Medidor de Internet

 

A Anatel, através da Resolução n°574, de 28 de outubro de 2011, aprovou o Regulamento de Gestão de Qualidade do Serviço de Comunicação Multimídia (RGQ-SCM), que estabelece padrões de qualidade para o serviço, de forma a promover a melhoria progressiva da experiência do usuário em relação ao atendimento e ao desempenho das conexões de banda larga fixa no Brasil. O Regulamento definiu, entre outros pontos, como a medição da qualidade do serviço oferecido pelo provedor deve ocorrer, desde o Terminal do Assinante até o PTT (Ponto de Troca de Tráfego) da rede, bem como os parâmetros mínimos de qualidade do serviço prestado.

Como referência, o Artigo 15, da Resolução 574/11, trata da coleta de amostras dos indicadores de rede e que as medições devem ser realizadas conforme metodologia e procedimentos definidos pelo Grupo de Implantação de Processos de Aferição da Qualidade – GIPAQ. Cita ainda que as medições de qualidade da Internet devem ser periódicas e realizadas por equipamento dedicado, instalado no endereço do assinante. Neste caso, os testes usando um computador doméstico não validam o desempenho da rede e do serviço entregue, servindo apenas como um primeiro exame da conectividade (ou não) à Internet. Testes realizados em sequência apresentarão leituras diferentes. Assim, muitas vezes, as leituras da conexão variam dependendo da ferramenta de teste, características do computador usado, tipo de modem, horário do teste, versão do navegador, sistema operacional, tráfego e sinais de interferência na rede externa.

Na prática, esta resolução estabeleceu uma espécie de Acordo de Níveis de Serviços (SLA – Service Level Agreement), impondo ao provedor os parâmetros de qualidade mínimos a serem mantidos, tendo em vista a observância de variações na velocidade de tráfego de dados na Internet. Esses parâmetros estão em documento de trabalho conjunto do Inmetro, da Anatel e do CGI.br/NIC.br, que foram utilizados na elaboração da Resolução n°574. É bom ressaltar que esta Resolução abrange as prestadoras de serviços de telecomunicações com mais de 50 mil assinantes.

Por exemplo, uma meta estabelecida pela Resolução 574/11, foi que os provedores de serviços de Internet deveriam disponibilizar aos usuários, até novembro de 2014, uma velocidade instantânea de conexão de, no mínimo, 40% da velocidade contratada e velocidade média de, pelo menos 80%, da adquirida. Isto significa que, se o usuário contrata um acesso de Internet de 10 Mbps mensal, pelo menos 8 Mbps devem ser garantidos pelo provedor.

 

José Mauricio dos Santos Pinheiro
Profissional da área de tecnologia, professor universitário e palestrante.

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