Enviado em 20.01.2016

Sob o olhar do projetista: Planejamento e construção de redes ópticas

O mercado de telecomunicações está em plena expansão, com aumento de investimentos dos setores público e privado, ano após ano, impulsionados principalmente pelas linhas de crédito disponíveis para financiamento.

A necessidade de se comunicar a longa distância sempre foi um dos principais fatores para o desenvolvimento tecnológico. Isso é bastante evidente nos dias de hoje, onde as fibras ópticas representam uma revolução na transmissão de dados, voz e imagem, sendo utilizadas para comunicação com velocidades antes nunca imaginadas.

No Brasil, o mercado de telecomunicações está em plena expansão, com aumento de investimentos dos setores público e privado, ano após ano, impulsionados principalmente pelas linhas de crédito disponíveis para financiamento.

Em 2014, o setor industrial de Telecomunicações aumentou seu faturamento em 11%, maior crescimento em relação a setores muito importantes, como Informática (-20%) e Materiais Elétricos (2%).

Inseridos neste contexto estão os ISPs – Internet Service Providers, cuja participação no Mercado de Telecom vêm crescendo periodicamente.

Dentre as inúmeras possibilidades de projeto e montagem de redes, qual irá se adequar a minha realidade?

A matéria a seguir aborda aspectos relativos ao planejamento da construção de redes puramente ópticas, levando ao leitor informações relativas à algumas fases do processo, pois os assuntos inerentes à construção de redes PACPON, foram esclarecidos na edição anterior.

É sugerida a divisão do processo em etapas para formação de um projeto completo, levando em conta aspectos importantes e necessários para uma boa execução:

  1. Planejamento da rede de dados e Projeto de Redes Ópticas – Redes x

FTT.x É um termo genérico para designar arquiteturas de redes de transmissão de alto desempenho, baseadas em tecnologia de divisão de sinais ópticos. As redes PON – Passive Optical Network são totalmente passivas. Uma rede baseada em arquitetura PON é composta por elementos divisores de sinais, cordões e cabos ópticos, DIO, CEO, e tudo que compõe o caminho entre a OLT – Optical Line Terminal e a ONU – Optical Network Unit.

Esta é a etapa na qual o empreendedor toma algumas decisões importantes, como a escolha de tecnologia a empregar, elaboração dos projetos de rede e viabilização do empreendimento como um todo, com vistas e elaboração de uma rede “future proof”, ou seja, a prova de futuro.

1.1 Deve-se levar em conta que toda a rede é projetada previamente, evitando assim o desperdício de tempo e recursos. Para isto, o Projetista de rede precisa possuir experiência na área, cursos de capacitação e foco no projeto final, onde toda rede será contemplada.

1.2 A rede pode ser planejada de maneira a interligar as Estações Rádio-Base, para melhora na qualidade dos serviços, e implantação de rede óptica de atendimento em seguida, derivando fibras do Backbone Principal para inserção de splitters ópticos nas caixas de distribuição (splitters de 1° nível) e caixas TAR para efetivação dos clientes (splitters de 2° nível). Esta arquitetura de rede, deve levar em conta as possibilidades de incrementação na quantidade de serviços a oferecer: Telefonia (Voz), Internet, Tráfego de dados – Dedicated VLAN (Dados), IPTV, Monitoramento, VOD (Imagem), e outros serviços.

1.3 Atualmente existe grande demanda no planejamento de redes FTT.x para atendimento a condomínios residenciais FTT.B “Fiber to the Building” ou FTT.A “Fiber to the Apartment”, onde devem ser levados em conta o orçamento de potência (Loss Budget) desde a concepção do projeto para alocação correta de elementos ópticos na rede. Este projeto normalmente é muito vantajoso para ambas as partes, já que a empresa tem a possibilidade de atender vários clientes com uma infraestrutura reduzida, e o cliente normalmente tem possibilidade de aquisição de serviços Triple Play, além de monitoramento, interfone, etc.

1.4 As principais vantagens dos projetos de rede utilizando arquitetura PON são: melhora da performance da rede com número reduzido de equipamentos, menor consumo de energia elétrica e menor ocupação de espaço físico, tanto em postes como no data center.

1.5 A razão principal para o uso de cabos ópticos no lugar dos de cobre é a diminuição da perda do sinal transmitido, maior largura de banda, possibilitando maior taxa e capacidade de transmissão. Os sistemas metálicos tendem a se tornar obsoletos, já que cada dia mais necessitamos de taxas maiores de transmissão de dados.

1.6 As redes PON também apresentam menores custos com manutenção e operação em relação a redes metálicas tradicionais ou até mesmo PACPON, as quais estão sujeitas a intempéries, fatores climáticos e outros fatores de ordem elétrica como descargas e surtos de tensão. As fibras ópticas são imunes a radiação eletromagnética, desta maneira os sinais transmitidos não sofrem interferência de natureza elétrica (linhas de alta tensão, motores, geradores de potência).

1.7 Como desvantagem pode-se citar o custo maior de implantação, maior necessidade de planejamento, aquisição de ferramentas específicas para montagem e manutenção de rede e também o custo final para ativação dos clientes, que é composto não só pelo cabo tipo drop, como também pela ONU (que é mais cara do que os equipamentos de soluções com cabeamento metálico), e também pela mão de obra na ativação, conectores e PDO’s.

O projeto de rede PON é muito importante, nele definem-se aspectos que possibilitarão toda sua construção e operação, onde todas as áreas da empresa estarão envolvidas.

  1. Projeto de Rede Óptica e Compartilhamento de infraestrutura

O projeto eletromecânico de compartilhamento de postes é fundamental para a execução de uma rede óptica, deve ser inserido no planejamento desde o início e elaborado por profissional habilitado pelo sistema CONFEA/CREA.

O Empresário de Telecom deve ficar atento e participar ativamente de todas as fases do processo, juntamente com o responsável pela elaboração do projeto. Listamos abaixo as etapas principais, com algumas dicas e sugestões ao leitor:

  • Aquisição de mapas dos locais: Os mapas do município onde será a implantação geralmente é fornecido pela Prefeitura Municipal. Solicitações deverão ser feitas com antecedência.
  • Consulta prévia junto a concessionária de energia: O Empresário também poderá entrar em contato com a concessionária local de energia solicitando informações preliminares, como por exemplo: relação de documentos necessários para formalização de contrato, prazos de análise de projeto e entrega de documentos, preços de compartilhamento por componente estrutural e vigência do contrato.

Dica importante: solicite informações sobre a Norma Técnica de compartilhamento da concessionária local.

  • Análise dos locais de implantação

Antes até mesmo de realizar o projeto de rede, deve-se conhecer muito bem os locais de implantação através de levantamento de dados. A pesquisa deverá levar em conta variados aspectos, como:

– Posteamento da concessionária local: Tipo, quantidade, localização, alturas de fixação de cabos, etc.

– Ocupação do posteamento da concessionária: as concessionárias de energia disponibilizam a capacidade disponível em seu sistema de distribuição para inserção de cabos e equipamentos de telecomunicações. Deve-se levar em conta a ocupação de cada localidade, antes da elaboração do projeto de rede óptica e do projeto de compartilhamento de infraestrutura.

– Compatibilização entre os projetos – Compartilhamento x Rede Óptica: O projetista deve levar em conta aspectos relativos a compatibilização dos projetos de rede com o projeto eletromecânico de aluguel de postes. A locação de elementos de terminação de rede, os locais de cruzamento e capacidade dos postes de ancoragem são fatores importantes a se levar em conta;

2.4   Elaboração do Projeto Eletromecânico de adequação de rede – Compartilhamento de Infraestrutura:

Nesta etapa é indispensável a contratação de profissional habilitado pelo sistema CONFEA/CREA, com experiência na elaboração de projetos deste tipo. Este profissional deverá ser o elo de ligação entre a empresa e a concessionária de energia.

O estabelecimento de cronograma de execução é feito levando em conta aspectos como: elaboração dos projetos, período para análise dos projetos pela concessionária, compra de materiais, condições de entrega, Cronograma Físico-Financeiro, e outros que julgar interessante.

Consulta a órgãos públicos envolvidos no processo: CREA, Prefeitura, concessionária de energia, DNIT, DER e detentoras de concessão de rodovias. Deverão ser levantadas previamente a necessidade de alvarás e outros documentos para autorização das obras.

Prazos da concessionária: Além do prazo de elaboração do projeto deve-se levar em conta o prazo de atendimento da concessionária, que analisa a solicitação de compartilhamento enviada e emite parecer sobre a situação do projeto. Com a aprovação do projeto de compartilhamento inicia-se a relação entre a Detentora da infraestrutura (Concessionária) e a Ocupante, ou empresa de telecomunicações.

Observação: O autor não está levando em conta alguns fatores importantes como: Aquisição de link de dados, mão de obra disponível na empresa para outros serviços (ativação de clientes, setor administrativo, publicidade…), além de outras condições específicas de cada empresa. Portanto pode-se realizar um planejamento com foco na produtividade, baseado nas condições de trabalho e possibilidades existentes.

O objetivo do projeto de compartilhamento é formalizar com a concessionária de energia o aluguel dos postes, de acordo com disposições normativas – Resolução Conjunta n° 001, de 24 de Novembro de 1999, a qual trata sobre o compartilhamento de infraestrutura entre os setores de energia elétrica, telecomunicações e petróleo. São estabelecidos todos os critérios a se levar em conta no projeto de ocupação de postes, além de prazos para análise documental, formalização de contrato e demais atividades.

A Resolução Conjunta n°04, de 16 de Dezembro de 2014 estabelece preço de referência para o compartilhamento de postes entre distribuidoras de energia elétrica e prestadoras de serviços de telecomunicações, a ser utilizado nos processos de resolução de conflitos, e estabelece regras para uso e ocupação dos pontos de fixação.

  1. Execução do projeto de Rede Óptica

Alguns proprietários de empresas de Telecom optam por executar sua própria rede, e outros tendem a empreitar o serviço. Para ambas as decisões devemos levar em conta alguns fatores:

  • O projeto de Rede Óptica deve estar compatibilizado com o de Compartilhamento de Infraestrutura;
  • O cronograma de execução da obra deve ser compatibilizado com os prazos dos serviços contratados e também dos serviços a contratar, visando o cumprimento de metas estabelecidas;
  • O quantitativo de materiais deve ser elaborado pelo gestor do projeto, contemplando os componentes da rede: cabos, conjuntos de ancoragem, reservas técnicas, caixas TAR e previsões de ampliação. Nesta situação é possível alcançar o melhor preço na contratação de execução, já que o executor da obra não trabalhará com incertezas;
  • Para contratação de equipe de execução, levar em conta todos os encargos, bem como aquisição de equipamentos para execução, automóveis, máquinas e ferramentas, além de treinamentos, cursos e consultorias para capacitação de equipe;
  • Na negociação de serviços de empreitada com equipe lançadora de cabos contratada: deve-se apresentar todo o projeto da rede óptica, dividindo a execução em quantas etapas for necessário buscando o estabelecimento de prazos, condições de execução e forma de pagamento dos serviços.

Dica importante: Pode-se dividir a execução dos projetos, porém a quantificação de rede deve ser elaborada com base em toda a rede, prevendo aspectos relativos até a expansão da mesma com a inserção de novos divisores ópticos passivos – splitters, em locais contemplados no projeto

  1. Documentação da rede óptica

A documentação de rede é uma atividade fundamental no processo, mas nem todos os empresários de Telecom a realizam. Muitos se arrependem quando aparecem os constantes retrabalhos, já que com a expansão da rede torna-se muito difícil lembrar as locações de equipamentos, conexões de rede e também os postes que já estão compartilhados, entre outras dificuldades.

Sugerimos aqui que esta etapa deve acompanhar o projeto de rede, sendo que a etapa ideal para documentação é logo após o recebimento do projeto de compartilhamento aprovado.

Existem ótimas ferramentas disponíveis no mercado, o empreendedor deve ficar atento e procurar a melhor solução, sendo que alguns aspectos como: assistência técnica, custos, facilidade de implementação de dados e disponibilidade local para consultoria devem ser levados em conta.

  1. Conclusão

O planejamento de redes ópticas para muitos é a essência de todo o processo.

Podemos constatar em nossas atividades diárias que os proprietários de redes bem planejadas têm menos problemas na operação, consomem menos recursos, implantam suas redes em menos tempo, e ainda atendem mais clientes, o que os torna muito mais competitivos do que os que não planejam.

Portanto pode-se realizar um planejamento com foco na produtividade, baseado nas condições de trabalho e possibilidades existentes em cada local.

 

Eloi Ari Piana Junior

Engenheiro Eletricista.

Diretor da empresa Instelpa Engenharia Elétrica.

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